De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, decorar vai muito além de escolher móveis bonitos ou combinações de cores agradáveis. Criar um ambiente com identidade real exige intenção, narrativa e uma curadoria precisa de elementos que, juntos, formam algo maior do que a soma das partes.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que significa trabalhar com conceito na decoração, por que a identidade de um espaço é tão determinante para o bem-estar de quem o habita e como essa construção pode ser feita de forma prática e estratégica, mesmo em projetos de diferentes escalas.
O que é conceito em decoração e por que ele importa?
Conceito é o fio condutor invisível que une todas as decisões de um projeto. É o ponto de partida filosófico que orienta cada escolha, da paleta de cores à seleção de texturas, passando pela disposição dos móveis e pelos acessórios que compõem a cena final. Sem conceito, um ambiente pode até ser esteticamente agradável, mas tende a parecer genérico, sem alma, sem pertencimento.
A profissional de design de interiores trabalha com o conceito como ferramenta central porque ele permite criar espaços que resistem ao tempo. Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, as tendências passam, mas ambientes bem conceituados permanecem relevantes e coerentes por anos. Essa coerência não é rigidez, mas harmonia entre os elementos que compõem o projeto.
Como a identidade se forma em um ambiente?
A identidade de um espaço é a soma das referências, memórias e valores de quem o habita, traduzidas em linguagem visual e sensorial. Ela se manifesta na escolha de um objeto herdado que ganha lugar de destaque, no tipo de iluminação que evoca aconchego, na textura do tecido que convida ao toque. Cada detalhe comunica algo.

Para Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, o processo começa sempre pelo cliente, nunca pela tendência. Entender o modo de vida, os gostos, os rituais cotidianos e até as memórias afetivas de quem vai habitar o espaço é o que permite criar algo genuinamente único. Esse olhar investigativo transforma um projeto decorativo em uma experiência de identificação profunda.
Quais são os pilares práticos para construir um ambiente com conceito sólido?
O primeiro passo é definir uma narrativa clara. Pergunte-se: o que este ambiente deve transmitir? Serenidade, vitalidade, sofisticação, acolhimento? A resposta orienta tudo o que vem depois. A partir daí, a curadoria de materiais, formas e referências passa a ter critério, e não apenas intuição.
O segundo pilar é a consistência. Um ambiente com identidade forte não mistura referências aleatoriamente. Ele pode combinar estilos, mas sempre com uma lógica que cria diálogo entre os elementos. O eclético bem feito é aquele onde cada peça parece ter sido escolhida com propósito, mesmo que o resultado final pareça espontâneo, como remete Daugliesi Giacomasi Souza.
Como a curadoria editorial transforma a decoração em narrativa?
A curadoria é, talvez, o elemento mais sofisticado de um projeto de interiores bem-sucedido. Ela exige repertório, sensibilidade e a capacidade de editar com rigor, escolhendo o que entra, mas, sobretudo, o que fica de fora. Um ambiente com muitos elementos concorre com a atenção do olhar e dilui a mensagem que se deseja transmitir.
Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, ressalta que cada peça precisa justificar sua presença. Isso não significa minimalismo obrigatório, mas intenção em cada escolha. O resultado são ambientes que provocam sensações precisas, que comunicam sem precisar explicar.
De que forma o conceito impacta o bem-estar de quem habita o espaço?
Estudos em neurociência e psicologia ambiental confirmam o que designers experientes já sabem na prática: o ambiente influencia diretamente o estado emocional, a produtividade e a qualidade das relações interpessoais. Espaços coerentes com a identidade de quem os habita geram sensação de pertencimento, segurança e conforto psicológico.
Criar a alma de um ambiente, em essência, é sobre fazer com que o espaço respire a mesma frequência de quem o habita. Isso exige método, mas também escuta. Portanto, é exatamente essa combinação que transforma quatro paredes em um lugar verdadeiramente seu.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

