Alternar entre fases de cut (redução de gordura) e bulking (ganho de massa) é uma estratégia comum entre quem treina com foco em estética ou performance, mas poucas pessoas acompanham de perto como a composição corporal realmente se comporta durante essas transições, além do que aparece na balança.
De acordo com Lucas Peralles, nutricionista esportivo no Tatuapé, em São Paulo, observar apenas o peso durante esses ciclos esconde informações importantes sobre o que está de fato acontecendo com massa magra e gordura corporal em cada fase.
O que acontece com a composição corporal durante o bulking?
Durante o bulking, o superávit calórico permite ganho de massa muscular, mas raramente esse ganho acontece sem algum acúmulo simultâneo de gordura, especialmente quando o excedente calórico é maior do que o necessário. Lucas Peralles explica que a proporção entre massa magra ganha e gordura acumulada varia bastante conforme a experiência de treino da pessoa e a agressividade do superávit calórico utilizado, o que explica por que duas pessoas seguindo a mesma estratégia podem terminar a fase com resultados visivelmente diferentes.
Iniciantes costumam apresentar uma proporção mais favorável nessa fase, ganhando mais massa muscular em relação à gordura acumulada, enquanto praticantes mais avançados tendem a acumular proporcionalmente mais gordura para o mesmo ganho de massa, o que exige ajustes mais finos no superávit calórico conforme o tempo de treino aumenta.
Como o cut revela o que foi construído no bulking?
A fase de cut, com déficit calórico controlado, é o momento em que fica mais evidente quanto de massa magra foi realmente conquistado durante o período anterior. Para Lucas Peralles, um cut bem conduzido preserva a maior parte da massa muscular construída, enquanto reduz principalmente o percentual de gordura acumulado durante a fase de superávit.

Déficits calóricos muito agressivos durante o cut aumentam o risco de perda de massa muscular junto com a gordura, o que pode fazer parecer que o bulking anterior não funcionou, quando, na verdade, o problema está na condução do próprio cut, e não na fase de ganho.
Por que acompanhar apenas o peso pode enganar?
Duas pessoas podem apresentar o mesmo peso final depois de um ciclo de bulking e cut, mas com composições corporais completamente diferentes, dependendo de quanto de massa magra foi, de fato, ganha e preservada ao longo do processo. Avaliações de composição corporal, quando disponíveis, oferecem uma visão muito mais precisa do progresso real do que o número isolado na balança, que costuma esconder ganhos reais de massa muscular atrás de uma variação de peso aparentemente pequena.
A orientação, nesses casos, é usar medidas de circunferência, fotos de progresso padronizadas e, quando possível, exames específicos de composição corporal em conjunto para acompanhar essas fases, já que nenhum método isolado conta a história completa da transformação física ao longo do ciclo.
Como planejar a transição entre as duas fases?
Fazer a transição de forma abrupta entre bulking e cut, ou vice-versa, costuma gerar desconforto tanto físico quanto psicológico, especialmente quando o ajuste calórico é feito de uma vez, sem período de adaptação. Uma transição mais gradual, com ajustes intermediários de calorias, tende a facilitar tanto a adesão quanto a resposta metabólica à mudança de fase, reduzindo a sensação de choque que costuma acompanhar cortes ou aumentos calóricos muito bruscos.
Lucas Peralles reforça que o tempo ideal de cada fase varia bastante entre pessoas, e que insistir em ciclos muito curtos de bulking e cut, sem tempo suficiente para consolidar ganhos ou observar resultado real, tende a gerar frustração e dificuldade de avaliar se a estratégia está realmente funcionando, levando muitas pessoas a trocar de abordagem antes mesmo de dar tempo suficiente para o próprio processo mostrar resultado.
O Instagram de Lucas Peralles traz conteúdos sobre composição corporal e nutrição esportiva para resultados reais. Para acompanhar mais sobre o tema, siga @nutriperalles.

