Para a Sigma Educação, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nunca foi apenas um número. Desde que o índice passou a ser divulgado com regularidade pelo INEP, o debate sobre o que separa os municípios que sobem consistentemente dos que estagnam ou regridem ganhou uma dimensão prática urgente. Os resultados do IDEB 2023, divulgados em agosto de 2024, recolocaram essa discussão no centro da gestão pública: estados como Paraná, Ceará e São Paulo lideraram o ranking nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com notas de 6,7, 6,6 e 6,5 respectivamente, enquanto a maioria dos municípios brasileiros seguiu abaixo da média esperada para o período.
Neste artigo, você vai entender quais práticas de gestão distinguem as redes de maior desempenho, por que o problema raramente está onde os gestores acham que está, e o que municípios de qualquer porte podem replicar independentemente de orçamento.
O IDEB mede o sintoma, não a causa
Antes de qualquer estratégia, é preciso compreender o que o índice de fato revela. O IDEB é calculado com base em dois fatores principais: a taxa de aprovação dos estudantes e o desempenho nas avaliações de aprendizado, variando de 0 a 10 e sendo apurado para escolas, municípios e estados. Essa combinação é poderosa porque evita um equívoco frequente nas redes: aprovar a todos sem garantir aprendizado real. O índice obriga a gestão a equilibrar fluxo e qualidade ao mesmo tempo.
O problema é que muitos gestores olham para a nota final sem investigar o que a compõe. Um município pode ter IDEB baixo por taxa de reprovação elevada, por desempenho fraco nas provas ou por ambos, e cada diagnóstico exige uma intervenção completamente diferente. Tratar todos os casos com a mesma receita é um dos erros mais recorrentes nas secretarias municipais de educação.
O que os municípios de alto desempenho fazem diferente?
Um estudo conduzido pelo Unicef visitou 33 escolas públicas com bons resultados em territórios vulnerabilizados e identificou que o desempenho escolar variava em função de um conjunto de elementos: práticas pedagógicas, formas de avaliar, gestão democrática, formação de professores, infraestrutura e acompanhamento da frequência escolar. Não havia um fator isolado. A diferença estava na combinação e na consistência com que esses elementos eram mantidos ao longo do tempo.
Os municípios que constroem trajetórias ascendentes no IDEB compartilham uma característica central: tratam a gestão educacional como área técnica, não como cargo político. Isso significa que as decisões pedagógicas são orientadas por dados, que os diretores de escola recebem formação continuada e que existe um sistema de monitoramento de aprendizagem que funciona ao longo do ano, sem esperar o resultado bianual do índice para agir. Nesse sentido, a Sigma Educação destaca que a diferença entre crescer e estagnar raramente está nos recursos financeiros disponíveis, está na qualidade das decisões que se toma com esses recursos.

Formação de professores como variável central
Entre os determinantes da qualidade educacional identificados pela literatura especializada estão a infraestrutura escolar, a formação adequada dos professores, a experiência de diretores e docentes e a existência de ações para redução de reprovação. De todos esses fatores, a formação continuada dos professores é o que apresenta maior correlação com melhora sustentada de desempenho, especialmente nos municípios de menor porte, onde o impacto de cada profissional na rede é proporcionalmente maior.
Municípios como Lago do Junco, no Maranhão, ilustram como redes pequenas podem avançar de forma expressiva quando a qualificação docente é tratada como prioridade estrutural. O município atribuiu seus avanços ao foco na qualificação do professor, parcerias com universidades, formação continuada, programas de educação integral, presença das famílias nas escolas e acompanhamento articulado com a assistência social. Nenhuma dessas ações exige orçamento excepcional. Todas exigem intencionalidade e continuidade.
O monitoramento que acontece entre um IDEB e outro
Na visão da Sigma Educação, um dos erros mais custosos na gestão educacional municipal é tomar decisões pedagógicas apenas quando o IDEB é divulgado. Como o índice é bianual, um município que aguarda o resultado para agir perde dois anos de intervenção possível. É preciso acompanhar os resultados dos alunos a cada bimestre, e não a cada dois anos com o IDEB, o que envolve definição clara de objetivos, criação de planos de ação detalhados e monitoramento contínuo do progresso.
As redes que crescem de forma consistente constroem sistemas internos de avaliação que funcionam como um IDEB em miniatura, produzido com mais frequência e com granularidade suficiente para orientar intervenções em tempo real. Isso pode ser feito com avaliações diagnósticas bimestrais, reuniões sistemáticas entre coordenadores e professores para análise de resultados e metas intermediárias por turma e por escola.
O que os outros podem aprender?
Conforme aponta a Sigma Educação, a lição mais importante dos municípios de alto desempenho não é sobre o que eles fazem, mas sobre como fazem: com regularidade, com base em dados e com cultura de responsabilização compartilhada. Quanto mais alto o IDEB, maiores as chances de o município atrair investimentos e apoio para ampliar a infraestrutura das escolas, desenvolver programas de capacitação para professores e melhorar o engajamento da comunidade escolar. Ou seja, melhorar o índice não é apenas uma meta pedagógica, é também uma estratégia de desenvolvimento municipal.
O caminho não é simples, mas é replicável. Municípios que começam pelo diagnóstico honesto, que investem em formação docente antes de investir em infraestrutura física e que criam rotinas de monitoramento ao longo do ano tendem a apresentar melhoras mensuráveis já no ciclo seguinte do IDEB. O que separa quem avança de quem espera é, quase sempre, a decisão de não aguardar o próximo resultado para começar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

