Evento reúne investigadores, empresas, investidores e poder público para discutir como transformar ciência, IA e outras tecnologias avançadas em negócios e soluções de impacto.
Goiânia recebe nesta quarta-feira, 9 de setembro, uma edição do Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026, encontro dedicado à aproximação entre investigação científica, empreendedorismo, investimento e políticas públicas. A programação acontece no Hub Goiás, no Setor Leste Universitário, entre as 13h30 e as 20h, com entrada gratuita e vagas limitadas.
A edição de Goiânia coloca em discussão principalmente a capacidade de transformar conhecimento produzido em universidades e centros de investigação em produtos, empresas e tecnologias capazes de chegar ao mercado. Inteligência artificial, propriedade intelectual, financiamento à inovação, transferência de tecnologia e políticas públicas estão entre os assuntos previstos para o encontro.
Um dos destaques da programação é Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG). O investigador participa da abertura do fórum, numa palestra sobre ciência, políticas públicas e tecnologias do futuro. A presença do CEIA reforça o espaço ocupado pela inteligência artificial no debate sobre o desenvolvimento do ecossistema tecnológico goiano.
O fórum também reúne representantes de instituições ligadas ao financiamento, à propriedade intelectual, à indústria e ao empreendedorismo. A proposta é discutir não apenas as tecnologias em desenvolvimento, mas também os obstáculos que ainda dificultam a transformação de investigação científica em empresas escaláveis.
Inteligência artificial e ciência aplicada ganham espaço em Goiás
As chamadas deep techs diferenciam-se de muitas startups digitais porque normalmente têm origem em investigação científica avançada ou em inovações complexas de engenharia. Inteligência artificial, biotecnologia, novos materiais e tecnologias aplicadas à saúde e ao agronegócio estão entre as áreas que podem integrar este universo. No caso da edição de Goiânia, o foco declarado é discutir como ciência aplicada ao agro, à saúde e à IA pode transformar-se em inovação de alcance nacional.
Esse modelo de empresa costuma enfrentar um percurso diferente daquele de uma startup baseada principalmente em software ou serviços digitais. Muitas deep techs necessitam de anos de investigação, testes, validação científica, proteção de propriedade intelectual e investimentos elevados antes de conseguirem colocar uma solução no mercado. Por isso, a ligação entre universidades, empresas, investidores e poder público torna-se especialmente importante.
A inteligência artificial ocupa uma posição central nesse debate em Goiás. Anderson Soares é professor titular do Instituto de Informática da UFG e fundador do CEIA/UFG, estrutura dedicada ao desenvolvimento de projetos e soluções baseados em IA. No fórum, a sua participação está associada precisamente à discussão sobre como o conhecimento científico pode gerar inovação e aplicações concretas.
A programação não se limita, contudo, à IA. O encontro pretende mostrar como diferentes áreas de investigação podem transformar-se em soluções comerciais e industriais, incluindo iniciativas relacionadas com biotecnologia e biodiversidade. A organização apresenta a edição de Goiânia como um espaço para conectar ciência, mercado e políticas de inovação.
Financiamento e propriedade intelectual estão entre os principais desafios
Transformar uma descoberta científica numa empresa exige mais do que desenvolver uma tecnologia. É necessário encontrar financiamento para investigação e expansão, proteger a propriedade intelectual, estabelecer modelos de negócio e criar canais capazes de levar a inovação ao mercado. Esses desafios explicam a presença no fórum de instituições que atuam em diferentes etapas desse processo.
Entre os participantes anunciados estão representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, Finep, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Sebrae Goiás e Embrapii. Empresas e organizações ligadas ao ecossistema de inovação também integram a programação.
O financiamento é uma das questões mais relevantes para deep techs porque projetos científicos podem exigir capital durante períodos prolongados antes de começarem a gerar receitas. A participação da Finep no encontro aproxima investigadores e empreendedores de uma das principais instituições federais de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico.
A propriedade intelectual representa outro ponto estratégico. Uma tecnologia desenvolvida numa universidade ou centro de investigação pode envolver patentes, licenciamento e acordos de transferência tecnológica antes de chegar à indústria. A presença do INPI na programação mostra que o fórum pretende discutir também essa etapa, e não apenas a criação das tecnologias. O próprio instituto inclui a edição de Goiânia na sua agenda oficial de eventos relacionados com empreendedorismo e inovação.
Fórum tenta aproximar universidades, empresas e investidores
Um dos principais objetivos do encontro é reduzir a distância que muitas vezes existe entre a investigação científica e o mercado. Universidades podem produzir conhecimento e tecnologias promissoras, mas transformar esses resultados em empresas, produtos ou serviços exige competências, financiamento e parceiros que nem sempre estão disponíveis dentro do ambiente académico.
O Fórum Brasileiro de Deep Techs procura colocar esses diferentes atores no mesmo espaço. A edição goiana reúne investigadores, cientistas, fundadores de empresas tecnológicas, investidores, gestores públicos e lideranças empresariais. A organização afirma que o objetivo é discutir caminhos para transformar ciência aplicada em inovação com escala.
Goiânia recebe a iniciativa pela primeira vez e representa a etapa do Centro-Oeste do fórum. A programação de 2026 também contempla outras regiões brasileiras, com encontros destinados a discutir as características e oportunidades de cada ecossistema tecnológico. Depois de Goiânia, está prevista uma edição em Salvador, em 24 de setembro.
Para Goiás, o encontro funciona também como uma oportunidade para apresentar projetos desenvolvidos no próprio estado e aproximá-los de instituições de financiamento e potenciais parceiros. A programação inclui participantes ligados à inteligência artificial, biotecnologia, agronegócio e outras áreas de ciência aplicada, setores nos quais o estado procura ampliar a integração entre investigação e atividade económica.
Mais do que discutir tendências tecnológicas, o Fórum Brasileiro de Deep Techs coloca em evidência um desafio decisivo para Goiás: transformar conhecimento científico em inovação que consiga sair dos laboratórios e alcançar empresas e cidadãos. A presença de universidades, investidores, órgãos públicos e empresas no mesmo encontro procura criar precisamente essas ligações. O resultado mais importante será perceber se essas conexões conseguem gerar novos projetos, financiamento e empresas tecnológicas capazes de crescer a partir do ecossistema goiano.
Fontes:
INPI — Fórum Brasileiro de Deep Techs em Goiânia
Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026 — programação oficial
Jornal Opção — CEIA/UFG e inteligência artificial no Fórum de Deep Techs
PortalGO — programação e participantes do Fórum Brasileiro de Deep Techs

