Estado estabelece ações de fiscalização, monitoramento por satélite e prevenção de incêndios para proteger a vegetação do Cerrado até 2029.
Goiás passou a contar com um plano estadual específico para prevenir e combater o desmatamento, as queimadas e os incêndios florestais até 2029. O Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais (PPCDQIF) foi elaborado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com participação do MapBiomas e do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás (UFG). O documento organiza as ações em quatro grandes eixos e estabelece metas para fiscalização, monitoramento ambiental, produção sustentável e conservação do Cerrado. (Agência Goiás)
A estratégia foi instituída oficialmente pelo Decreto nº 10.882, de 19 de março de 2026, que criou também o comitê gestor responsável pelo acompanhamento do plano. Entre as propostas estão o aumento da capacidade de fiscalização, a utilização de imagens de satélite de alta resolução, a criação de estruturas de inteligência ambiental e o fortalecimento das brigadas florestais. A iniciativa também prevê medidas voltadas à regularização fundiária e ao uso sustentável dos recursos naturais. (Portal Goiás)
Plano de Goiás reúne quatro frentes de atuação ambiental
O PPCDQIF foi estruturado em quatro eixos considerados estratégicos para reduzir a perda de vegetação nativa e enfrentar os incêndios florestais. Eles abrangem atividades produtivas sustentáveis, monitoramento ambiental, regularização fundiária e instrumentos normativos e econômicos. A proposta é combinar ações de fiscalização com iniciativas capazes de reduzir a pressão sobre o Cerrado e incentivar atividades econômicas sustentáveis. (Agência Goiás)
Na área de produção sustentável, o plano prevê a criação, até 2028, de um programa estadual voltado às cadeias produtivas da sociobiodiversidade do Cerrado goiano. A iniciativa deverá buscar geração de renda e valorização de produtos ligados ao uso sustentável dos recursos naturais. Também está prevista a criação de um sistema estadual de informações sobre produtos e comunidades da sociobiodiversidade e a implementação de mecanismos de certificação para agregar valor à produção. (A Redação)
Outro instrumento previsto é a atualização do Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais. A lógica é criar incentivos para iniciativas de conservação da vegetação nativa e recuperação de áreas importantes para o equilíbrio ambiental. O plano também prevê projetos de restauração de nascentes e ações específicas para povos e comunidades tradicionais. (Agência Goiás)
A estratégia inclui ainda o fortalecimento da pesquisa científica. Entre as metas estabelecidas está a criação de programas voltados à valorização dos campos do Cerrado, além da elaboração de uma lista estadual de espécies ameaçadas de extinção e da capacitação de técnicos ambientais. Dessa forma, o planejamento não se limita ao combate direto às queimadas, mas também incorpora ações de conservação e produção de conhecimento sobre os ecossistemas goianos.
Monitoramento por satélite será ampliado em Goiás
Um dos principais componentes tecnológicos do plano está relacionado ao monitoramento da vegetação. A Semad prevê contratar imagens de satélite de altíssima resolução e serviços capazes de fornecer alertas diários sobre desmatamento e queimadas em todo o território estadual. A medida busca aumentar a velocidade de identificação de áreas afetadas e permitir uma resposta mais direcionada das equipes de fiscalização. (Agência Goiás)
O plano estabelece como uma das metas o embargo de 100% das áreas desmatadas ilegalmente até 2028. Também está previsto um aumento de 50% na apreensão de máquinas utilizadas em infrações ambientais. Dentro das unidades de conservação estaduais, a estratégia prevê ainda o embargo anual das áreas identificadas como desmatadas ilegalmente. (Agência Goiás)
Outra medida prevista é a criação de um Núcleo de Inteligência Ambiental até 2027. A estrutura deverá ampliar a capacidade do Estado de cruzar informações e identificar ocorrências ambientais. O Sistema de Informações Geográficas Ambientais (Siga) também deverá ganhar maior utilização pelos municípios, permitindo ampliar o uso de ferramentas de geoprocessamento nas atividades de fiscalização. (A Redação)
O monitoramento da cobertura vegetal também deverá avançar. O plano estabelece a meta de mapear detalhadamente os remanescentes de vegetação nativa em 100% do território goiano até 2027. Parte desse trabalho já vem sendo desenvolvida por meio do Atlas dos Remanescentes de Vegetação, elaborado pela Semad em parceria com o Lapig/UFG. (Agência Goiás)
Goiás aposta em brigadas e prevenção contra incêndios
O combate aos incêndios florestais é outro eixo importante da estratégia estadual. O plano prevê regulamentar a Política de Manejo Integrado do Fogo em Goiás em 2026 e criar, até 2027, um Programa Estadual de Brigadas Florestais. Entre as ações estão a capacitação de brigadistas, a compra de equipamentos e a ampliação do atendimento aos municípios durante períodos de maior risco. (Agência Goiás)
Uma iniciativa que já está em andamento é o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais de Brigadas Comunitárias, desenvolvido pela Semad em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás. Em maio de 2026, seis primeiras turmas de brigadistas comunitários foram formadas no Nordeste Goiano, com 172 moradores capacitados para atuar na prevenção, no monitoramento e no combate aos incêndios florestais durante a estiagem. (Agência Goiás)
A participação das comunidades faz parte de uma estratégia que busca ampliar a capacidade de resposta em áreas onde o acesso das equipes pode ser mais difícil. Além do combate direto ao fogo, os brigadistas podem contribuir para identificar novos focos e orientar moradores sobre práticas adequadas de prevenção. O modelo também cria uma forma de remuneração por serviços ambientais prestados pelas comunidades envolvidas. (Mais Goiás)
O planejamento ainda prevê ações de regularização fundiária e proteção de comunidades tradicionais. Entre as medidas está a incorporação da consulta livre, prévia e informada de povos e comunidades tradicionais em atos de licenciamento ambiental que afetem seus territórios. Também estão previstas novas unidades de conservação estaduais, recuperação de vegetação nativa, educação ambiental e iniciativas relacionadas ao mercado de carbono. (Agência Goiás)
Com metas distribuídas até 2029, o governo estadual pretende transformar o combate ao desmatamento e aos incêndios em uma política permanente, combinando fiscalização, tecnologia, prevenção e conservação. O uso de imagens de satélite, sistemas de geoprocessamento e estruturas de inteligência deverá ampliar a capacidade de identificar alterações na cobertura vegetal. Ao mesmo tempo, programas de brigadas comunitárias e pagamento por serviços ambientais procuram aproximar a população das ações de proteção do Cerrado. (Agência Goiás)
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