O Brasil tinha 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais em 2025, segundo o IBGE, e, na percepção de David do Prado, vendedor com mais de 10 anos de experiência no setor automotivo e de proteção veicular, os motoristas desse grupo enfrentam situações que a proteção veicular convencional nem sempre contempla. Em 2024, cerca de 878 mil brasileiros tinham o transporte de passageiros por aplicativo, excluindo táxi, como seu trabalho principal. O número dá a dimensão de um público grande, que depende diretamente do veículo para pagar as contas do mês. Para eles, o carro não é apenas meio de locomoção: é a ferramenta que gera a renda da família.
Quilometragem alta e desgaste acelerado
A primeira situação é o volume de uso. Segundo o IBGE, motoristas de aplicativo trabalham em média 45,9 horas por semana, acima dos demais ocupados. Mais tempo na rua significa mais exposição a colisões, a pequenos danos e ao desgaste de peças, o que muda o perfil de risco do veículo em relação ao de um carro de uso particular.
Por isso, muitas associações tratam o uso profissional como categoria específica, com mensalidade própria. Omitir a atividade na adesão para pagar menos é uma economia que pode sair cara: se a análise do sinistro identificar o uso não declarado, o ressarcimento pode ser negado justamente no momento em que o motorista mais precisa dele. O mesmo vale para quem começa a trabalhar com aplicativo depois de já estar associado e não atualiza o cadastro.
Exposição a roubos e abordagens
Outra situação típica é o risco de abordagem. Corridas para regiões desconhecidas, passageiros que não podem ser verificados com antecedência e longos períodos com o carro parado em pontos de espera aumentam a vulnerabilidade. Para David do Prado, quem roda por aplicativo deveria tratar a cobertura contra roubo e furto não como um item a mais, mas como o centro da proteção.
Nesse cenário, o rastreador ganha peso. Além de ajudar na recuperação do veículo, ele costuma ser exigido por associações para modelos visados, categoria em que entram muitos dos carros mais usados no transporte por aplicativo. Bloqueio remoto e botão de pânico, presentes em alguns equipamentos, acrescentam uma camada de segurança ao próprio motorista.

Quando o carro parado vira renda perdida
A terceira situação é a menos lembrada na contratação. Um carro de uso particular parado por duas semanas na oficina causa transtorno; um carro de trabalho parado pelo mesmo período significa duas semanas sem faturamento, enquanto despesas como financiamento ou aluguel do veículo continuam vencendo.
É nesse ponto que coberturas adicionais fazem diferença. Carro reserva, assistência 24 horas com guincho de maior alcance e reparo de vidros reduzem o tempo de inatividade. Como ressalta David do Prado, o motorista de aplicativo deveria avaliar o custo desses adicionais comparando-o com quanto deixa de ganhar por dia sem o carro, e não com o valor da mensalidade básica.
Proteção veicular para quem trabalha com o carro
Há ainda a questão dos danos a terceiros. Quem passa o dia no trânsito tem mais chances de se envolver em colisões com outros veículos, e a cobertura para terceiros, quando oferecida, costuma ter limite definido em regulamento. Conferir esse limite é tão importante quanto verificar a proteção do próprio carro, já que um acidente com um veículo de alto valor pode gerar uma dívida maior do que o preço do carro de trabalho.
Com a regulamentação do setor pela Lei Complementar nº 213/2025, as associações passaram a operar sob supervisão da SUSEP, o que dá ao motorista um parâmetro adicional de escolha. Entidades do segmento, como a Aproest Proteção Veicular, fazem parte de um mercado em que o uso profissional precisa estar claramente previsto nas regras. Na análise de David do Prado, quem depende do carro para trabalhar deve contratar a proteção como contrataria qualquer equipamento de trabalho: pensando no dia em que ele falha.

